Eis uma questão que já foi objeto de reflexão de diversos pensadores. Para nós, homens, é impossível considerar a servidão como parte da nossa natureza. O desejo dos homens é sempre de permanecer livre. Todo homem moderno sonha, por exemplo, em ser seu próprio chefe, passando a ter liberdade para fazer aquilo que bem quiser sem dever explicações para qualquer outra pessoa. Assim, entende-se que os homens servem por imposição.
Hobbes afirma que faz parte do direito natural do homem a liberdade irrestrita. No entanto, para ele, é impossível a vida em uma sociedade em que todos a possuam, pois os homens estão constantemente em busca de honra e glória e, por isso, competem entre si. Essa situação de guerra de todos contra todos é insuportável. E é por isso que os homens renunciam ao seu direito à liberdade a um soberano que passa a controlar as relações e que tem todos os poderes, obrigando todos os homens a lhe servirem. Assim, entende-se que, do ponto de vista hobbesiano, a servidão é necessária. Para ele a liberdade só existe em Estado de Natureza.
Rousseau afirma que “o homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se aprisionado”. Apesar de concordarem em relação ao fato de o contrato social limitar a liberdade natural dos indivíduos, Rousseau tem um ponto de vista diferente de Hobbes no que se refere à guerra. Ele se opõe claramente ao defender que no Estado de Natureza todos os homens são iguais e portanto não há tendência à guerra, como acredita Hobbes. Rousseau afirma que a guerra é uma consequência da sociedade fabricada pelo próprio homem que passa a lutar pela sua autopreservação, que é, segundo ele, um instinto humano. Ele diz que a guerra de todos contra todos visualizada por Hobbes não existe. O que existem são conflitos distintos, que tendem a serem resolvidos, mas não há um estado de guerra generalizado.
Em suma, Rousseau afirma que os homens servem por hábito e, sendo assim, a servidão não é necessária. Para ele, a desigualdade é uma criação do homem. Ele acredita que deve-se a liberdade civil por meio da educação e da filosofia. Só assim o povo será capaz de criar as suas próprias leis, o que é um ato de liberdade, que pode o libertar da servidão voluntária. Por outro lado, de acordo com Hobbes, a servidão voluntária existe ao passo que é insuportável viver em estado de guerra com o constante sentimento de medo e tensão na situação em que há liberdade irrestrita, devido à insegurança na medida em que todos são livres para matar quem quiserem.
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ResponderExcluirA servidão voluntária é portanto expressa por todos esses autores contratualistas, que culpam a própria criação deste contrato social como a primeira forma de repressão das liberdades. Os homens se unem por meio de um contrato para garantir sua sobrevivência, e por meio dele se colocam na posição de servir. Pode-se, indo além, assinalar que, segundo esses autores, os próprios homens escolheram abrir mão de sua liberdade, e portanto viver em sociedade implica nesse sacrifício. No entanto, Rousseau enfatiza, como vocês acima afirmaram, que há uma forma de se libertar, por meio da educação e filosofia, ou seja, de um esclarecimento que dote o povo de conhecimento de sua situação, e aja para mudá-la, criando suas próprias leis e portanto exercendo uma forma de liberdade.
ResponderExcluirIsabella Duarte - RA 00093111